Resenha | A Noite do Jogo (2018) – desligando a lógica em prol da diversão

Noites de jogos costumam gerar experiências bacanas nas maioria das vezes. Reunir um pessoal, um lanche maneiro, são momentos feitos para se aproveitar bem. “A Noite do Jogo” preza por esse sentimento, só que leva ele em uma narrativa bastante pirada e nada contida. Dirigido por John Francis Daley e Jonathan Goldstein, roteiristas de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” e “Quero Matar Meu Chefe“, o filme brinca com o absurdo em alguns momentos para gerar situações cômicas e bem humoradas, utilizando da criatividade dos diretores tanto para a história como para a direção.

A Noite do Jogo

Título: A Noite do Jogo (“Game Night“)

Direção: John Francis Daley e Jonathan Goldstein

Ano: 2018

Pipocas: 7/10

Em “A Noite do Jogo”, Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams) são um casal que constantemente recebe seus amigos para uma noite de jogatina com diversos jogos de tabuleiro, mímica e adivinhação. Após descobrirem que estão tendo dificuldades para engravidar devido a um suposto bloqueio de Max por problemas com ansiedade e estresse, eles procuram algumas saídas para fazer com que a ideia da gravidez dê certo. Mas após descobrirem que Brooks (Kyle Chandler), irmão mais velho e bem sucedido de Max –, que sempre criou uma ambiente de extrema competitividade com o irmão, está vindo fazer uma visita, os planos deles acabam mudando um pouco. A relação dos irmãos é bastante importante para a história: Brooks sempre foi considerado mais bonito, esperto e confiante que Max, o que desencadeia uma interação bastante complicada para o personagem de Bateman, pois ele sempre está sendo colocado para baixo pelo irmão mais velho – que até mesmo comprou o carro dos sonhos do caçula e decidiu aparecer com ele na noite da sua visita.

Após o reencontro, o grupo – Max, Annie e seus amigos – recebe uma proposta de Brooks para um jogo diferente e muito mais interessante do que os já costumeiros jogos de tabuleiro. Partindo desse ponto, o absurdo acontece quando algumas coisas não saem como o planejado. A ideia do irmão de criar um jogo de mistério no mesmo esquema “Detetive” para seus irmãos e amigos para jogarem acaba sendo frustrada. Mas a sacada do filme está exatamente nesse ponto, e as conveniências também.

Um sequestro acontece e eles precisam descobrir o que aconteceu, tanto no jogo como na vida real. Depois disso, uma série de situações cômicas e bem pensadas para criar a adrenalina e a ação do filme acontecem – mas não vêm sem a companhia da extrema coincidência de fatos que permeiam vários momentos do filme para tornar aquilo tudo possível. É preciso deixar um pouco do lógico e abraçar a ideia de que o filme está ali pela comédia e não para entregar um roteiro extremamente amarrado e coeso.

Dito isso, o filme consegue lidar bem com as suas escolhas, sempre tentando subir de escala a cada novo desafio que eles vão enfrentando, como se estivessem mesmo dentro de um jogo – porque a sua estrutura pode ser comparada a de um. Existem fases e movimentos estratégicos para tirar os personagens de cada situação e de uma forma bastante distribuída, até. Todos eles têm sua função, ninguém é mal utilizado.

Mas na direção de determinadas cenas, o filme se sobressai. Existe uma estética bem bacana mesclando alguns cenários reais com tabuleiros e elementos de jogos. As cenas com mais ação trazem uma câmera que acompanha os movimentos dos personagens, estando eles em um carro ou não, e conseguem entregar algumas boas sequências. Existe até um plano sequência muito esperto e bem reproduzido alternando entre os personagem em um momentos onde existem várias pessoas perseguindo eles.

Algumas surpresas também estão no fluxo do filme, desde referências a personagens como Tony Stark, Jarvis e alguns jogos de arcade até um ator aparecendo no final – pode não ser tão animador para alguns, mas eu achei bem bacana hehe. Até mesmo um twist na história acontece. É um roteiro cheio de pontos e muitos deles são aceitos.

“A Noite do Jogo” é um filme divertido. Ele traz uma história bacana, boas cenas de perseguição que crescem com o passar do filme – desde carros até um avião – acompanhadas de uma direção que soube transitar bem entre os diferentes momentos do filme. Existem alguns momentos meio forçados, piadas fora de ritmo, mas acabam sendo coisas pontuais. O problema mesmo fica para a quantidade de coincidências e Deus Ex Machina usados no filme que poderiam ser trocadas por soluções mais lógicas, ou pelo menos um pouco mais realísticas. Ainda assim é um bom entretenimento e consegue ser um jogo divertido para quem está assistindo.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.