A Morte Te Dá Parabéns (2017): repete o dia, mas não a trama (resenha sem spoilers)

“O primeiro dia do resto de sua vida.” – A Morte Te Dá Parabéns

a morte te dá parabéns poster

Título: A Morte Te Dá Parabéns (“Happy Death Day“)

Diretor: Christopher B. Landon

Ano: 2017

Pipocas: 7/10

Não deixe para manhã o que você pode fazer hoje. Filmes como “Feitiço do Tempo”, de 1993; “Antes Que Termine O Dia”, de 2002; e “No Limite do Amanhã”, de 2014, são exemplos de títulos que compartilham semelhanças entre os seus personagens: presos no dia presente, a fim de encará-lo repetidamente – com exceção do segundo longa citado – depois da limitação que este impõe, seja ao dormir, ou morrer. Além disso, seus personagens precisam encarar a estranha realidade em que se encontram enquanto questionam o porquê – onde pode surgir a reflexão do ditado supracitado no início do texto. É pegando um pouco de inspiração nesse plot, e pouco mais em filmes slasher, que “A Morte Te Dá Parabéns” – ponto para o título nacional certeiro –  nos presenteia com uma empreitada boa o suficiente para acrescentar substância à este sub-gênero.

Segunda-Feira, 18 de fevereiro, tudo parece bem para Tree – ou Teresa – Gelbman (Jessica Rothe, que lembra muitíssimo a ex-dançarina do É O Tchan! Sheila Mello) no dia em que comemora mais um ano de vida – ela só não esperava que seria assassinada por um indivíduo mascarado com o símbolo do mascote da faculdade. A situação fica ainda mais louca depois que ela percebe que ressuscita para reviver continuamente o dia do seu aniversário e sua morte. O jeito é usar desse privilégio (?) para descobrir quem tem o interesse em matá-la e o porquê.

Com direção de Christopher Landon (da comédia “Como Sobreviver A Um Ataque Zumbi”) e roteiro de Scott Lobdell (“X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido“) conforme fora descrito, parece que o longa apenas pega um conceito conhecido e traz para o subgênero. No entanto, “A Morte Te Dá Parabéns” sabe aonde quer chegar e faz isso sem medo. São poucos os filmes que despontem com o mesmo sucesso imediato que o terror “It: A Coisa” fez, mas depois de conferir a película fica a certeza que a questão não é “inovar”, mas sim se esforçar em ser um blockbuster digno de elogios – ao longo de 96 minutos de duração, e sem esforço.

Apesar de ser composto de um elenco aparentemente não tão conhecido, “A Morte Te Dá Parabéns” estabelece o seu estilo altamente divertido, provando que pode assustar, levar ao riso e intrigar ao mesmo tempo, não deixando de referenciar suas inspirações – com uma cena à la “Scream Queens” – sendo conduzido de forma positiva a fim de explorar bem o seu potencial e apontar um olhar diferenciado para o gênero – e Christopher Landon aproveita isto.

O jump scare está lá para quem busca os sustos; o humor para quem curte a mistura dele com horror, como também as sequências para agradar ao público fiel de um slasher. Todos esses aspectos funcionam muito bem, mas, infelizmente, o longa não consegue se sustentar como um todo; pouco a pouco a sua força vai diminuindo, perdendo o brilho e ritmo ao abraçar a ideia de pintar um encerramento coincidentemente didático e forçado.

“A Morte Te Dá Parabéns” não encontra dificuldades para conquistar, e ainda que não seja uma obra por excelência, é consciente do que desenvolveu e pode ser aproveitado por isto. No mais, não passa a sensação que se trata de uma decepção para o sub-gênero e acerta ao combinar com competência o humor e terror, valendo o ingresso apesar de seu final emburrecido. Em suma, não é um filme matador, mas merece mérito pelo esforço.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.