Classicologia #29 – A Malvada (1950)- Apertem os Cintos, Esta É uma Obra Turbulenta

“Pode colocar a estatueta onde seu coração deveria estar”

A Malvada

Ah, os anos 50… década que produziu alguns dos filmes mais memoráveis da história do cinema:  Crepúsculo dos Deuses (1950), Cantando na Chuva (1952), Janela Indiscreta (1954), Morangos Silvestres (1957), Quanto Mais Quente Melhor (1959),  Os Incompreendidos (1959), dentre outros.

Mas hoje irei falar sobre um dos que foram feitos lá no iniciozinho da década, A Malvada. Clássico absoluto, baseado em uma história real, foi ganhador de 6 dos 14 Oscar aos quais concorreu; é estrelado por ninguém mais, ninguém menos do que Bette Davis, é um daqueles casos onde a tradução do título não lembra nada o original, All About Eve.

A malvada conta a história de…

A Malvada

Eve (Anne Baxter), uma fã ambiciosa da veterana atriz de teatro Margo Channing (Bette Davis). Parecendo ser apenas uma jovem inocente,  ela se infiltra na vida de Margo, ameaçando sua carreira e a vida pessoal.

A arte imita a vida

A Malvada

Assim como em Crepúsculo dos Deuses, A Malvada mostra a situação de uma atriz já velha e sendo “passada para trás”(uma relação estabelecida similarmente entre a atriz e a personagem), o que nos remete, também, a outro filme estrelado por Bette Davis e já comentado aqui na coluna, O Que Terá Acontecido a Baby Jane?. Quando convidada para estrelar A Malvada, Bette estava passando por vários fracassos de bilheteria. Mais tarde ela disse que Manckiewicz (diretor do filme), havia ressuscitado-a. Porém, inicialmente, esse papel seria de Claudette Colbert, que desistiu após sofrer uma fratura pouco antes do início das filmagens.

Mas nem tudo foram flores… Anne Baxter e Bette Davis foram colocadas para concorrer ao mesmo prêmio no Oscar de 1951, o de Melhor Atriz. Para sorte, ou azar, nenhuma das duas ganhou a estatueta que ficou com Judy Holliday por seu papel em Nascida Ontem.

Outro fato do filme que se assemelha à vida real é Marilyn Monroe. No filme ela representa uma jovem atriz em busca de seu lugar ao sol, e que, orientada, utiliza de sua sensualidade para isso. Nem preciso dizer o quanto isso parece com a vida real da atriz, não?!  Além disso, dizem que Marilyn era humilhada, no set, pelas atrizes veteranas, sendo chamada por Bette Davis de “vagabundazinha loira”. Assim como sua personagem, Marilyn estava em início de carreira, sendo esta sua segunda participação em um filme famoso, logo depois de O Segredo das Jóias.

A Malvada na cultura pop

Um filme como A Malvada não poderia nunca deixar de ser referência em outros meios de cultura. Alguns deles:

No filme de Pedro Almodóvar, Tudo Sobre Minha Mãe (1999), o personagem Esteban asiste uma versão dublada do filme com sua mãe, e, no seu diário, escreve sobre ela sob o título “Tudo sobre Eva”.

A Malvada

A série Gossip Girl (meu primeiro vício em série! hehe), tinha a tradição de nomear todos os seus episódios com nomes de filmes. O 6º episódio da terceira temporada chama-se “Enough about Eve”, e a personagem Blair rainha Waldorf tem um pesadelo em que é Margo Channing.

A Malvada

A malvada deve ser assistido porque…

A Malvada

Só o fato de ter Bette Davis no elenco já dispensa mais motivos para ver este filme. Entretanto, para não me chamarem de fã louca dela (e sou mesmo, ok?!), digo que o maior atrativo dele, além de mostrar os bastidores do teatro, é o modo como ele nos prende a atenção desde o início. Aquela premiação na abertura conduz de forma instigante toda a história. Afinal, por que Margo parecia tão aborrecida com aquela situação? Seria inveja? Ciúmes? Eve realmente merecia ser premiada?

Como diria a própria Margo, “somos todos abelhas com ferrões fazendo mel dia e noite”, ou seja, os “ferrões” que existem por detrás de todo o glamour do cinema e do teatro foram pano de fundo para este “mel” delicioso que é A Malvada.

A Malvada

 

Classicologia é a coluna quinzenal de Nay Berger (me, myself and I!), e aqui tenho a intenção em tirar aquele “cheiro de poeira” dos grandes clássicos do Cinema mundial.

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