A Grande Muralha (2016) – Um grande investimento para uma obra nem tão grande assim

Ahh… Hollywood e suas maravilhosas empreitadas. Quão bom seria unir a essência oriental em um filme com protagonistas do ocidente, não é verdade? E é seguindo essa ideia “genial” que a Universal Pictures nos presenteou com mais um blockbuster recheado de pretensões e pouquíssimo folego para entregar tanto. Neste texto você vai descobrir alguns dos principais motivos que tornaram de “A Grande Muralha” um grande esquecimento.

a grande muralha

Título: A Grande Muralha (“The Great Wall)

Direção: Yimou Zhang

Ano: 2016

Pipocas: 5/10

Para começarmos, vamos falar um pouco da história do filme para apontar alguns problemas. No inicio, somos apresentados a William (Matt Damon) e Tovar (Pedro Pascal) que junto de mais dois homens buscavam um novo tipo de arma que, segundo as histórias a eles contadas, teria uma capacidade destrutiva muito grande: a pólvora. Durante o percurso eles acabam sendo perseguidos pelo que parece ser um grupo de saqueadores, o que os obriga a buscar um esconderijo numa caverna.

Quando já estavam acampados, ao redor de uma fogueira, o ataque de uma criatura até então desconhecida acaba tirando a vida de dois dos seus parceiros. Mesmo não conhecendo a tal criatura, William a mata e isso o faz questionar a origem dela. Seguindo na narrativa, após darem prosseguimento a sua busca pela pólvora, os personagens de Damos e Pascal são capturados pelos guerreiros da Muralha e descobrem que existe uma ligação entre eles: o povo que vive além dos muros e a criatura que assassinou seus antigos companheiros.

Existe toda uma história de séculos envolvendo os ataques das criaturas à muralha, que ocorre a cada sessenta anos. William mata uma delas, e acaba sendo mantido como prisioneiro. Até aqui é possível compreender basicamente o cerne da história, que é bem simples e nunca se arrisca à camadas mais profundas. Após nossos protagonistas presenciarem um dos ataques à muralha, as intenções de William e Tovar entram em conflito. Eles descobrem que a pólvora é real e está naquele lugar. Tovar pensa em fugir, porém, William decide ficar. Mas o que fez ele mudar de ideia? A maravilhosa Comandante Lin Mae (Tian Jing).

Ah, mas até aqui só tem história. Onde estão os problemas de “A Grande Muralha”? Bem, às vezes seguir uma história simples pode facilitar bastante o desenvolvimento, e a do filme definitivamente não é o ponto critico aqui e sim os elementos que estão presentes nela. O primeiro deles é a escolha do elenco. Não, não é um elenco ruim mas é visível que Matt Damon, Pedro Pascal e Willem Dafoe foram escalações somente para trazer público e tornar o filme atrativo para os dois mercados (chinês e americano), já que do outro lado, além da Tian Jing, que esteve em “Kong: A Ilha da Caveira” – e fará parte do elenco da sequência de “Circulo de Fogo” -, temos Yimou Zhang, diretor de clássicos como “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”, assumindo a direção desse filme. E mesmo que a desculpa dada no roteiro não seja exatamente ruim, ainda fica bastante conveniente a presença de parte dos atores envolvidos.

O segundo problema que eu vou citar aqui talvez não seja o mesmo para muitas pessoas, até porque ele tem muita relação com a forma que o enredo do filme fala com você. Esse problema, para mim, é a falta de interesse por boa parte das coisas que estão acontecendo no filme. Houve momentos em que eu consegui de verdade ficar interessado pela história, mas muitas vezes alguns diálogos conseguiam me tirar o envolvimento. Algumas conveniências na história também ajudaram para isso, mas a minha maior questão foi perceber que o meu interesse no filme se resumiu em ver as cenas de ação, já que a primeira sequência na muralha é bem bacana. A história enfraquece com o tempo e por mais esforçados que os atores pareçam ser em “A Grande Muralha” – não em todos os momentos- foi difícil conseguir me importar com eles.

O próximo ponto serve de complemento para o anterior. Como a história acaba se mostrando bastante rasa com o passar dos minutos, o desfecho sofre bastante com isso, e os efeitos especiais também. Mesmo com um orçamento de $150 milhões de dólares, a qualidade gráfica cai bastante com no decorrer do filme. Ela já inicia levemente duvidosa em alguns momentos entre o primeiro e o segundo ato mas, no terceiro, pela escolha de ampliar as possibilidades durante as cenas, um pouco mais de grana acabou fazendo falta – ou talvez tenha sido uma economia bem feita.

a grande muralha

Mas nem só de reclames vive este “A Grande Muralha”. Existem ressalvas importantes a serem feitas, elas estão focadas na produção de design do filme. Assim que a muralha é apresentada, logo em sua primeira grande cena de ação é possível ver o quão bem definido foi o visual desse filme. Desde as armaduras até o visual das criaturas, a arte é bem feita e traz uma certa identidade pro filme, especialmente quando falamos das vestimentas dos guerreiros. Mas é um pena que não é só de visual que se vive, e esse filme é mais uma prova disso.

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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.