Resenha | A Cabana (2017) – uma jornada de fé e liberdade

 

Título: A Cabana (“The Shack”)

Diretor: Stuart Hazeldine

Ano: 2017

Pipocas: 5,5/10

Jó, um homem próspero, sincero e temente à Deus. Perdendo seu gado e filhos, ainda teve seu corpo tomando por uma chaga maligna e até mesmo usava um pedaço de telha para coçar as feridas. Perante toda a desgraça e amargura de vida, ouviu de sua esposa: “ainda reténs a sua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre”, e respondendo disse: “receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?”.

Escrito por William P. Young, em 2007, “A Cabana”, o autor não esperava o sucesso estrondoso de sua obra diante do público. Apesar da temática voltada para o religioso, tinha em seu enredo uma importante mensagem sobre superação, amor, ódio e perdão através da vida de Mackenzie Allan Philips (Sam Worthington). Vindo de uma infância conturbada e traumática, Mack se sentia realizado com sua família e fé em Deus. Após um final de semana num retiro com os filhos, algo trágico lhe acontece: o desaparecimento de sua filha caçula, Missy (Amélie Eve), que mais tarde foi descoberto como um frio assassinato da maneira mais perversa possível.

Algum tempo depois, Mack recebe um bilhete assinado por Papa (Octavia Spencer) o convidando a voltar para o lugar da sua dor: a cabana a qual os indícios do crime brutal contra Missy foram encontrados. Assim, cheio de incredulidade e incertezas, Mack embarca numa jornada de redenção, fé e liberdade num final de semana com a Trindade Santa – personificando, tanto para Mack, também para como imaginamos Deus, Jesus e o Espírito Santo.

Conhecendo a história de Mack, não demorou muito para que me lembrasse de Jó, ambos envoltos numa tristeza profunda depois da desgraça que foram acometidos. Através de Mack, a adaptação do livro de William P. Young desenvolve uma discussão que transita e muito em nosso meio: perante tantas tragédias, porque Deus permite nos acontecer tanto mal? Para cada situação, nos prontificamos a questionar “porque comigo?”; “não deveria ser assim”, tomados pelo sentimento de devastação e inconformidade… “Por que, Deus?“.

O filme “A Cabana”, vai a fundo nisso, parecendo abordar as perguntas certeiras com respostas precisas para todo o sentimento de revolta em que Mack se vê sendo consumido. Enquanto questiona a perseverança do mal, também trata de apontar o nosso comportamento perante as misérias que nos acontecem: juízes de tudo e todos, movidos pelo ódio e o desejo de justiça, somos realmente verdadeiros? Consequentemente, o luto de Mack é misturado por outros sentimentos e sensações, abalando a sua fé e relacionamento familiar considerando o quanto questiona o porquê Deus permitiria acontecer tamanha desgraça sobre a pequena Missy.

Com inúmeras frases de efeito e diálogos tão previsíveis – que nem se dá o trabalho de se aprofundar – tentando ser tocantes, com o elenco constantemente com os olhos lacrimejando em cada frase dita, “A Cabana” quis ser um filme intimista e arrebatador, nos envolvendo na experiência de Mack – que parece forçar significados rasos, por mais que sejam significativos – na lição de fé e reflexão para alcançar a sua liberdade e saber que Deus é um deus de amor.

A cabana

Por mais que o diretor Stuart Hazeldine quisesse passar essa firmeza, o filme não teve tanta força. Ao contrário do que o longa esperar ser com diálogos e situações aparentemente necessárias, parece mais um melodrama forçado – talvez esse feito esperado, tocante e impactante possa ser encontrado nas muitas linhas do livro, o qual não li, de William P. Young. Diante desses aspectos, o longa se estende com uma narrativa arrastada, deixando uma mensagem importante com cara de um típico filme repleto de frases de efeitos e situações comoventes.

Seja como for, a adaptação não desejada de William P. Young para com o seu livro foi feita. Dividindo opiniões, agradando ou não, esse foi o retrato de uma importante história sobre dor, perda, superação, reconhecimento, empatia e amor em muitos corações.


A adaptação de “A Cabana” foi uma boa? Valeu a pena tanto quanto ler o livro? Concorda ou discorda? Diz aí na sessão de comentários no nosso grupo do Telegram e Facebook!

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.