A Bela e a Fera (2017): um belo retrato para um belo conto (sem spoilers)

“É possível alguém ser feliz sem ser livre? ” – A Bela e a Fera

a bela e a fera

Título: A Bela e a Fera (The Beauty and the Beast)

Ano: 2017

Diretor: Bill Condon

Pipocas: 8/10

O conto musical está de volta! A famosa história de Jeanne-Marie LePrince de Beaumont sobre Bela, uma jovem aldeã que se torna prisioneira no castelo de uma fera em troca da liberdade de seu pai, já ganhou diversas adaptações ao longo dos anos, entre elas, a já cancelada série “Beauty & the Beast”, do CW. Talvez, a transposição mais marcante e conhecida para o audiovisual seja a animação de 1991. Baseada nessa animação, temos a mais recente adaptação live action, cuja nem mesmo a polêmica envolvendo um dos seus personagens foi capaz de tirar o brilho e impedir seu sucesso.

A trama já abre com um número musical – importante a dublagem aqui, uma vez que o filme mantém as letras e diálogos da animação – apresentando a protagonista, enquanto revela o seu incômodo pela mesmice existente na aldeia em que morava, Dessa forma, percebemos como ela é vista (metida e estranha) e tratada pelos demais moradores. Como se não bastasse, Bela (Emma Watson) é perseguida pelo narcisista Gaston (Luke Evans), que a todo tempo insiste em casar com ela. Em meio a isso, seu maior desejo é viver além do que a vida na aldeia lhe oferece.

LeFou (Josh Gad) e Gaston (Luke Evans)

Por outro lado, no castelo, temos o príncipe (Dan Stevens) que perante a sua arrogância e falta de amor foi amaldiçoado – assim como todos que com ele viviam – e, como castigo, transformado numa fera. Mas havia um ‘porém’: se, até o cair da última pétala da rosa que recebera da feiticeira, ele tivesse aprendido a amar alguém e fosse correspondido, a maldição seria quebrada, do contrário, viveria como fera por toda a eternidade.

O restante da história você já conhece, mas o que esperar de um live action que reproduz cada cena conhecida (da animação)? O resultado é filme belo e prazeroso de se assistir, repleto de bons efeitos e uma linda fotografia cheia de cores, sem falar do caráter nostálgico para os fãs, que não desmerece nada do que já conhecíamos. Com isso, nem aprofundar os personagens secundários ou investir no passado da protagonista foi um problema, tendo em vista o quão bem foram inseridos na narrativa. A Bela e a Fera não entregou apenas o esperado.

Dentre muitas interpretações que o conto poderia render, a partir da convivência entre Bela e a Fera é que acompanhamos uma história de amor verdadeira, que fala sobre superar os preconceitos e entender que o importante é a beleza interior, não somente a aparência externa. Foi o que Bela aprendeu indo além do medo e o desejo de fugir do castelo, conhecendo mais a fundo da Fera. O que ambos tinham em comum era a vontade de alcançar a liberdade.

Não falo somente da vontade de Bela em se livrar da Fera, mas de ser livre da realidade em que vivia na aldeia, sua liberdade como mulher, sua liberdade em querer se aventurar;  enquanto a Fera precisava aprender a amar e encontrar alguém que a amasse do mesmo jeito, para assim se libertar da maldição. No final ‘dos contos’, temos um final feliz.

“A Bela e a Fera” adaptou o conto/animação de maneira simples mas capaz de agradar o público vista a fidelidade com que conduziu mais uma vez esta história tão conhecida, entregando um belo e envolvente retrato dessa obra.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.