A Barraca do Beijo (2018) – uma mesmice boba que diverte

Que toda semana tem uma novidade original da Netflix, não deve ser surpresa para ninguém. Talvez, das séries venham os merecidos elogios de projetos que entregam um resultado realmente muito bom. Já dos filmes não se pode falar a mesma coisa. E por mais que o investimento em efeitos especiais e no elenco venham a ser de peso, deixa a desejar no quesito roteiro e andamento do mesmo. Porém, o típico filme bobo e teen – ou a comédia romântica que quis ser -, “A Barraca do Beijo”, foi lançado no último dia onze se tornando umas das sensações mais positivamente comentadas da gigante vermelha do streaming.

Título: A Barraca do Beijo (“The Kissing Booth”)

Diretor: Vince Marcello

Ano: 2018

Pipocas: 6/10

Você pode encontrar leves spoilers na barraca do beijo.

“A Barraca do Beijo” se define como um filme besta e brega, como quando nos deparamos numa tarde com uma película desastrosa no programa Sessão da Tarde, mas não conseguimos parar de assistir.  É verdade que o longa se tornou uma sensação inesperada, mas é também verdade que apenas se trata de um filme clichê, mas tão clichê que não faz questão de negar que é, mas também é o que você parou para assistir e está gostando. Talvez seja por isso que “A Barraca do Beijo” seja tão fácil de encarar, porque apesar de bobo, é uma mesmice que sabe divertir sem compromisso.

O enredo já contagia com a simplicidade e graça que apresenta os protagonistas. Elle – ou ‘Shelly’ – Evans (Joey King), a garota que nunca foi beijada e Lee Flynn (Joel Courtney) são dois melhores amigos que, além de terem em comum a data em que nasceram, compartilham dos altos e baixos que os tornaram inseparáveis e também investem numa amizade fiel em que ambos devem cumprir as diversas regras – que reúnem o segredo desse apego duradouro – que um dia estabeleceram. No meio disso, tem o irmão de Lee, Noah Flynn (Jacob Elordi), o qual não se entende muito bem com Lee. E como não poderia – ou poderia ? – ser diferente, Elle é apaixonada – finge a surpresa aí – o problema é que uma das regras da amizade de Lee e Elle diz que em hipótese alguma a possibilidade de namorar o Noah deva ser considerada. Que segredo você manteria para seguir o desejo do seu coração? Que regras você quebraria para viver o que sempre quis? Profundo mesmo essa tal barraca do beijo…

Elle e Lee

A fim de arrecadar fundos numa atividade da escola, Elle e Flynn têm a grande ideia de montar uma barraca do beijo, com a garantia de que um dos atrativos seja o galã desejado por todas as adolescentes, Noah (ok). O que Elle não esperava era que a barraca permitiria que ela deixasse de ser bv promoveria o seu primeiro beijo com a pessoa pela qual ela é apaixonada e a impediria de ter um relacionamento, o que a leva a viver um romance proibido e secreto longe do seu amigo fiel, Lee… Caramba, quantos clichês quantas emoções para a inexperiente Elle se aventurar, não é mesmo?

Noah’s “how you doing”

Para um filme adolescente em que o espectador tem a certeza de que não está assistindo a alguma novidade, o dilema em que Elle se vê envolvida é, de fato, pesado e a coloca na posição de decidir em se manter fiel a amizade inquebrável entre ela e Lee e desistir de se relacionar com alguém que ama ou quebrar a regra, tomar o fôlego para depois contar o seu segredo e viver o amor que sempre quis. Necessária, mas nem mesmo a consequência que envolve os protagonistas chega a ser uma decisão longe do esperado, o que deixa o “corta aqui” desentendimento criado pela decisão de Elle como um elemento nada impactante para a trama sobre difíceis decisões e descobertas.

Indo além disso, “A Barraca do Beijo” não deixa de ser uma mesmice como um todo, tendo o clichê como o seu maior forte para desenvolver a parte cômica do filme. Ver as apaixonadas por Noah ou Elle se envolverem em situações embaraçosas nesse novo caminho que é se apaixonar, garante o humor, mas não desprende da sensação de que esses aspectos já foram vistos diversas vezes.

Seja como for, uma comédia romântica adolescente manjada, besta, superficial, com elenco carismático e uma duração mais longa do que deveria, “A Barraca do Beijo” se tornou um enorme sucesso para Netflix não trazendo o novo, mas fazendo com competência um feito não tão esperado: ser um bom passatempo sem compromisso.

*

Últimas Observações:

a barraca do beijo

Kiss 1: “A Barraca do Beijo” foi uma adaptação baseada no livro homônimo “A Barraca do Beijo – Ela Pode Dizer Ao Seu Melhor Amigo Qualquer coisa … Exceto isso. ”, da autora Beth Reekles que na verdade surgiu no Wattpad – a plataforma de livros online – e vai ter seu lançamento no Brasil através da editora Astral Cultural.

Kiss 2: A autora já escreveu “The Beach House”, a sequência para o livro “A Barraca do Beijo”. A julgar pelo grande sucesso na Netflix, é possível esperar uma sequência para o longa.

Kiss 3: Eu quero mais que um, mais que mil e mil e um, um beijo é muito bom, mais que mil é mais que bom, um beijo quando é dado tem que ser apaixonado, pode ser até roubado, esteja onde estiver, é bom né?

 


Já conferiu “A Barraca do Beijo”? É mesmo um filme legal? Curtiu o texto? Fala para a gente com um comentário aqui embaixo ou nos nossos grupos do Facebook e do Telegram.

The following two tabs change content below.

Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.