50% (2010)

“-Quais suas chances?

– 50/50.

– Não é tão ruim! Num casino, é a melhor probabilidade.”

Título: 50% (“50/50”)

Diretor: Jonathan Levine

Ano: 2010

Pipocas: 6,7

A tragicomédia não um gênero muito comum de se ver, e justamente por isso, guarda boas surpresas. A junção peculiar de situações trágicas e cômicas gera resultados esquisitos, como por exemplo discutir, à mesa, quais os efeitos colaterais dos remédios tarja preta já experimentados, o que aconteceu em O Lado Bom da Vida, ou, ao tentar animar um amigo que acaba de descobrir que tem câncer, dar exemplos de pessoas que venceram a doença e acabar citando Patrick Swayze, que morreu em 2009, um ano antes do lançamento de 50% (“50/50”), assunto dessa resenha.

Dirigido por Jonathan Levine, a história desse filme gira em torno de Adam Lerner (Joseph Gordon-Levitt), jovem escritor que, aos 27, descobre que tem um tumor maligno raro e que dentro de pouco tempo estaria passando por quimioterapia e uma cirurgia muito perigosa. Caso ambos não funcionassem, o jovem estaria fadado à morte. Logo nos primeiros minutos, a personalidade de Adam já se mostra completamente construída, e isso se dá através dos seus relacionamentos com seu melhor amigo Kyle (Seth Rogen) e sua namorada Rachel (Bryce Dallas Howard). A forma com que Adam se relaciona com eles é totalmente passiva, sempre coagido a fazer as vontades deles, e vivendo situações desconfortáveis para evitar confrontos diretos com realidades já bastante perceptíveis para o expectador. Talvez, a única posição um pouco mais ativa que Adam toma a respeito da própria vida é a de não relacionar-se com seu conturbado núcleo familiar, uma mãe neurótica, Diane (Anjelica Huston), e um pai que sofre de alzheimer, Richard (Serge Houd). Ainda sobre Adam, vale ressaltar que ao longo de todo o seu tratamento contra o câncer ele aprende a viver, o que pode ter uma espécie de link com seu sobre nome Lerner, que tem exatamente a mesma pronúncia da palavra “aprendiz” em inglês (Learner).

  

O grande destaque do filme são suas opções pelo “não-clichê” dentro do que já conhecemos de filmes que abordam a temática das doenças terminais. Nada da lógica Nicholas-Sparksiana e John-Greeniana de que haverá um casal romântico perfeito que tentará lutar bravamente até o fim, mas não vão conseguir e ao final e o pobre do expectador é forçado a chorar porque um dos protagonistas morre e o outro fica para sempre incompleto. O mais perto de um romance que acontece no filme é o bromance entre Adam e Kyle (clichê? Talvez. Mas muito mais saudável). Mas, para ninguém dizer que faltou um par romântico, o protagonista começa a se envolver com sua terapeuta, entretanto, de uma forma tão inusitada e lenta que durante muito tempo a audiência se pergunta se é namoro ou amizade. Outra excelente opção para sair do lugar comum é a cena em que Adam raspa a cabeça, nada de ambiente hospitalar, lágrimas e mais lágrimas e uma música tocante de fundo. Um acerto gigante a favor da leveza do roteiro.

Por fim, as atuações, apesar de não serem extraordinárias, são bastante precisas com grandes destaques em momentos pontuais da trama em que Adam explode de alguma maneira, ou se expressa com um pouco mais de profundidade, tanto em quesitos dramáticos, como em cômicos. Certamente, não é um novo clássico ou um filme inovador, mas é, com certeza, um bom entretenimento para relaxar.

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Hippie com raiva.