Ítalo Calvino – Um General na Biblioteca

Um General na Biblioteca (Prima che Tu Dica: “Pronto”)

Ítalo Calvino (tradução:Rosa Freire d’Aguiar)

Cia. das Letras

2001

Mais uma vez, a Cia. das Letras me deu o prazer de uma excelente leitura (e olhe que nas próximas linhas vocês me verão elogiar um autor comunista). Um General na Biblioteca é uma coletânea de contos do autor, ironicamente, ítalo-cubano, Ítalo Calvino. Filho de pais italianos, Ítalo Calvino nasceu em Cuba, mas mudou-se logo com os pais para a Itália. Aparentemente, no pouco tempo que respirou o ar cubano, já foi contaminado pelo comunismo; Ítalo integrou o partido comunista de 1956 a 1957 e, embora sua passagem tenha sido relâmpago, as doutrinas da ideologia política estão evidentemente espalhadas ao longo de sua obra (bem como algumas incoerências, como foi ter um dos contos publicados neste livro sido feito para uma marca de uísque japonesa e posteriormente publicado na Playboy italiana).

Os contos de Calvino são breves (muito breves), salvo raras exceções. Sou um defensor da brevidade, quanto mais conteúdo for possível condensar, com profundidade, numa delimitação pequena de espaço, melhor. Nesse aspecto, ora o autor é brilhante, ora deixa um pouco a desejar. Talvez justamente por escrever textos bastante minimalistas, Ítalo Calvino acaba por se destacar ao desenvolver alegorias (principalmente de caráter social) com uma gama até um pouco repetitiva de estereótipos. Os personagens do escritor, em geral, são os personagens da narrativa de Marx (de forma mais acessível, porém), operários, políticos, burgueses, sindicalistas, etc.

Junto dos contos, há apólogos excelentes e três contos escritos em formato de entrevista que são muito bem elaboradas. O formato que Calvino usou é bastante apropriado para que ele lance mão de toda a ideologia que ele quer impregnar no texto. Por exemplo, a entrevista com o Homem de Neandertal vai, de forma satírica, expor a visão ateísta da evolução humana. Numa espetacular entrevista com Montezuma, é instaurada uma discussão sobre o processo de aculturação que colônias e colonizadores sofreram, e por fim, uma entrevista com Henry Ford que agrada a gregos e troianos.

Vale ressaltar que existem alguns contos românticos, nem todos valem o espetáculo. Em suma, Ítalo desenvolve narrativas completas de forma extremamente rápida e, em boa parte das vezes, engenhosamente, sem nunca perder a prática de uma dialética honesta. É. Definitivamente, um convite interessante para quem procura leituras leves, mas não alienadas.

 

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